MONTEVIDEO

Finalmente visitamos nosso vizinho Uruguai, não foi possível conhece-lo todinho e optamos por Montevideo/Punta del Este/José Ignácio e Colônia del Sacramento.
Embora tivesse lido bastante a respeito é incomparável aos nossos olhos um lugar sob a nossa própria percepção.
Afinal o nosso olhar é construído com base em nossas experiências e expectativas e nesse artigo compartilho com vocês o Uruguai sob a minha visão (que todos saibam, é um tanto quanto míope).
Muitas pessoas preferem passar por um lugar novo e apenas visitar seus pontos turísticos confortavelmente sentadas em um ônibus, eu não sou dessas!
Gosto de explorar o lugar, caminhar até as pernas doerem, observar os locais em seu habitat natural e comprar coisas que eu não encontre em outro lugar ou que o preço realmente valha a pena.
Sim, sou Capitalista! Adoro fazer compras nas viagens e sempre que me perguntam se eu faria uma viagem no melhor estilo mochileira, as maiores dificuldades são: Desapego de compras ou plano B, enviar por algum despachante logístico e como manter os cabelos escovados…. E eu não estou brincando não! Homens não entendem, como o cabelo pode ser tão importante para uma mulher, mas sabem muito bem apreciar um cabelo bonito.
Voltando a viagem, logo pude notar o clima nostálgico pelas músicas dos anos 80, 90 e 2000 que tocam o tempo todo nas rádios e até me diverti ouvindo Ragatanga: Aserejé, ja deje tejebe tude jebere sebiunouba … Quem lembra?
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Como era madrugada eu não pude captar nada muito além disto, além de que o UBER ainda não está presente de forma consistente na capital e acabamos por optar por um dos cartéis de transporte de passageiros disponível no aeroporto, as vans.

Optamos por ficar em um hotel confortável na Ciudad Vieja, que é o bairro mais antigo de Montevideo e é datado de 1724. Muito bem localizado, acessamos facilmente a Plaza da Independência de onde se pode ver o prédio que um dia já foi o mais alto da América Latina, mas só até 1935.

É uma construção art déco assinada pelo arquiteto italiano Mario Palanti, nada menos que um presente dado a cidade por uma família italiana, o prédio é conhecido como Palacio Salvo.

Não realizamos a visita guiada, pois o palácio me pareceu um tanto quanto sombrio e bizarro, visto as históricas que carrega: seu idealizador foi assassinado pelo ganancioso genro e desde então assombra o prédio, também funciona um bilhar dentro do palácio e em seu último andar há uma moradora herdeira da família, do hotel onde ficamos era possível observar que ela até pendurava roupas para secar em sua janela, do glamour ao cortiço.

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Ainda na Plaza da Independência é possível admirar a estátua de José Gervasio Artigas em seu cavalo sobre seu mausoléu. Guardas fazem a proteção de seus restos mortais.  Uma obra muito fascinante, um militar muito importante, pois lutou pela independência do país e é considerado um herói e como todos os demais que não morrem cedo é esquecido em vida e acabou exilado no Paraguai por 30 anos. Para um homem tão corajoso e idealizador, considero que a repatriação de seus restos e a construção do mausoléu é uma reparação digna a sua história.

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Continuando a caminhada, nos deparamos com a Porta da Ciudad Vieja, onde a cidade conserva mais um pedacinho da sua história, como se quisesse lembrar a todos de olhar o futuro mas nunca deixar de lembrar de onde vieram.

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É possível notar belas obras de arte pela cidade, que embora na sua grande parte cinza, tem o céu mais azul que já vi e agora posso compreender a perfeição da bandeira que os representa.

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A cidade me remeteu a arquitetura e a cultura europeia. Especialmente nos dias mais frios. A diferença está na gastronomia, obviamente, pois não consigo imaginar outro país onde se coma tanta carne, bom …talvez no sul do Brasil.

Aliás, eis mais uma curiosidade uruguaia, há mais boizinhos do que cidadãos. Sim!!!! E por isto se come muita carne vermelha, eu esperava provar mais frutos do mar/rio, mas que nada! O foco está no abatimento da boiada. E falando nos pratos, são deliciosos e também bem generosos, então se você quiser manter o mínimo de dignidade pós viagem e assim evitará o acumulo de quilos na cintura, divida seus pratos, lembre-se também de ser sustentável e evitar o desperdício, desperdiçar comida em um mundo onde muitos passam fome é inconcebível!

Para aproveitar a gastronomia, seja nos cafés, bistrôs e restaurantes espalhados por toda cidade basta circular e você irá esbarrar em algum lugar bacaninha. Claro que algumas dicas ajudam e por isso estamos aqui:

Na parte velha da Cidade passeie pela Rua Sarandi, nela você encontrará lojinhas e se os astros estiverem alinhados você encontrará roupas do seu gosto, no meu caso eu insisti, mas muito pouco encontrei que se adequasse ao meu estilo de vida pós férias.

Na Rua Sarandi, encontramos lugares fantásticos para admirar, descansar e degustar:

Já no comecinho da rua que é somente para Pedestres, há uma livraria maravilhosa, a Librería Más Puro Verso com direito a escadaria e vitral. Em seu segundo andar há uma cafeteria. Não provamos o café e nem as comidinhas, desta forma só podemos avaliar a estrutura e a beleza do local que merece nota 10 e como se não bastasse fomos presenteados com jovens estudantes de música tocando música clássica bem a sua frente.

Ao lado da livraria há uma galeria de arte, não costumo entrar em lugares que não posso comprar, pois não gosto de criar expectativas ou tomar o tempo dos vendedores neste caso, então fiquei admirando pela vitrine e passei quase todos os dias em que estive em Montevideo para apreciar um quadro/escultura fantástico. Há de chegar o dia em que terei espaço e direito para consumir arte.

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Continuando pela Sarandi, encontramos alguns café-bistrôs.

Conhecemos o Lucca Bistro y Café: O lugar é muito cool, com quadros de Mickey punk e janelas e portas espelhadas cobrindo suas paredes. Um ambiente moderno e retrô ao mesmo tempo.

Lá tomamos um café e a expectativa por um café de qualidade era alta, mas para nossa decepção nos serviram um tradicional Lavazza. O alfajor era clássico, recheado com doce de leite e coberto por chocolate. Ou seja, nada surpreendente. Acredito que o forte do local é o almoço. O atendimento é excelente, média geral 8.

coffee e bistro

Há também um outro café chamado: Sin Pretenciones  , porém não experimentamos nada, apenas o visitamos e tem uma cara mais bistrô romântico. Aliás nesta rua há um cartório e há casamentos em formato linha de produção, com direito a muito arroz, ao final de alguns deles os convidados se reúnem neste café. E art urbana está presente nos muros da rua Sarandi.

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yo amo mi barrio

O melhor de todos os restaurantes que experimentamos com certeza foi o Jacinto. Tanto que fomos 03 vezes.

Gentem!!! Tudo delicioso, um lugar aconchegante, com cozinha visível e chefes talentosos. Começamos com o cubierto que é cobrado, pães caseiros extremamente saborosos e pastinhas geniais. Bebidas cuidadosamente preparadas ou selecionados. A beleza dos pratos é um prazer visual que soma-se a experiência olfativa e muitas vezes somada ao paladar nos faz mergulhar na aventura de tentar identificar cada sabor. Os preços são equivalentes a São Paulo e o restaurante aceita cartão de crédito que no caso do Uruguai é ótimo, pois há devolução automática na fatura de 18.5% do IVA.

Continua(…)